Perigos do Vale Nentir

Morte Branca
E não é que morreu ?

(…) Quando os aventureiros começaram a atravessar a ponte, algo saindo da água chamou a atenção. Um grupo de homens-peixe estava de butuca apenas esperando alguém passar. O objetivo do grupo de sardinhas era cobrar uma tarifa para que os heróis do Baronato pudessem passar. Não querendo gastar recursos mais importantes do que míseras moedas de ouro, eles decidiram que era trabalho demais, e decidiram pagar as moedas. Cinco para cada, depois quatro, mas três para os três que ficou doze. Doze moedas de ouro mais pobres, a jornada continuou.

Pouco tempo de viagem depois, um vulto foi visto beirando a estrada. Aparentava ser um pedinte – disse que estava perdido e com fome. Prontamente Lobo da Noite e Karkaroff se dispuseram a ajuda-lo com um pouco de mantimentos. Lobo, porém, atento, percebeu que já o havia visto antes – na cidade anterior, inclusive. O pedinte se revela, então, dizendo que estava observando o grupo e sua missão por justiça. Um dragonborn cujo mestre – um dragão prateado – havia sido aprisionado por um dragão branco chamado Morte Branca. Pediu por nossa ajuda para liberta-lo, oferecendo recompensas e o favor de um dragão. Aceitamos pela possibilidade de botas novas.

Segundo o autointitulado aprendiz, seu mestre estava preso em uma fortaleza de gelo, no centro de um lago gelado. Iríamos nos aproveitar de uma passagem secreta em uma vila de criaturas próximas – escravizadas por Morte Branca. Ao chegar na vila, porém, as coisas não fluíram tão bem. Eram criaturas da mesma raça do Mago do Caos, e conhecidas por serem . . . Doidas. O mestre chamou isso de “caótico”, mas era apenas maluquice mesmo.

A vila se localizava nas margens do lago. Na entrada, ossadas diversas – vítimas do dragão. Ao redor, muitas estátuas de gelo demonstravam que diversos grupos tentaram se aproximar, apenas para terminarem suas jornadas como obras de Edward. Os Uldras, pequenos seres féericos que se traduzem como uma versão élfica dos Halflings, logo se aproximaram. Queriam respostas, guisados, e oferecer hospitalidade onde não haviam casas queimando. Um ritual de porradaria, dois chefes da vila, uma cobra e muita orgia depois, encontraram uma passagem secreta embaixo de uma tábua solta, dentro da tenda dos xamãs da tribo. Um tobogã de gelo em espiral desaparecia ao longe. Desceram.

Era uma câmara imensa. Uma caverna de gelo, com vários cestos entupidos de coisas diversas, que se resumiam à tesouro e comida. Um Uldra estava de camper, apenas assistindo à chegada daquelas pessoas estranhas. Perguntou se eram comida. Disseram que vieram dar de comer. Convenceram que o Uldra era tão corajoso quanto um pedaço de carne, e exploraram os grandes corredores de gelo. Deveriam haver muitas lutas e confusões, mas o grupo tava meio desfalcado (dois jogadores faltaram), aí a Grande Voz Acima disse que adiantou o lado pra sessão acabar mais rápido.

Passaram por vários antros e passagens com diversos mistérios e perigos. Trolls, estátuas congeladas de criaturas e um navio inteiro congelado fizeram parte do que havia nos salões, mas o importante foi a biblioteca que encontraram. Uma Tiefling estava estudando, e olhou assustada para o grupo. “Quem são vocês ?”, ela perguntou. “Viemos aqui matar Morte Branca, e aí ?”, responderam, ameaçadoramente. “Ele . . . Ele tá lá, ó”, disse a Tiefling, apontado para uma grande ruptura no chão. Depois de negociações, concordamos em ajuda-la a transportar a biblioteca, e ela nos deu informações e itens que iriam nos auxiliar contra Morte Branca. Descemos a ruptura, para a boca do dragão.

Uma caverna ainda maior. Uma grande cama de gelo. Uma armadilha ativada. Depois de enfrentarmos três trolls que estavam fazendo a segurança do lugar, chegamos na antecâmara onde estava Morte Branca. Tamanho Huge. Um dos itens disponibilizado pela Tiefling era uma flecha onde havia escrito “esterminadora de largatichas, favor ligar para 5678-inferno”. Com buffs variados, Lobo da Noite puxou o arco e meteu a flechada. +6d10 de dano.

Morte Branca era considerado uma criatura Lendária, e por causa disso, ele tinha a opção de escolher não ser atingido pelas coisas. Magia após magia, os aventureiros fizeram uma cachoeira de dano no bicho. Próximo de morrer, porém, ele tentou fugir pulando em um lago gelado. Lobo da Noite, com o segundo item que a Tiefling havia dado – um anel que concedia resistência à gelo -, se transformou em cobra e pulou no lago. Depois de um ENROSCA EM MEU PESCOÇO DÁ UM BEIJO NO MEU QUEIXO E GEME, a anaconda trouxe o corpo morto do dragão de volta pra caverna. Os aventureiros fizeram festa com todas as possibilidades do que podiam fazer com as escamas e o couro do dragão. Todos os itens, as armaduras, as botas, olha quanto couro disponível MEO DEOS. O dragonborn pegou o coração do bicho e comeu, voltando à sua forma original – um dragão de prata. A gente nem ligou pra mentira dele, tinha ouro pra caralho lá.

Final das contas: armaduras novas, botas novas, mochilas novas, um drinking horn novo, um elmo novo, e ainda sobrou couro para fazer muitas roupas para uma jovem de 16 anos.

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a Caçada
O encontro com o Espírito Guardião

O véu da escuridão havia sido jogado por cima da floresta. Era noite. Lobo da Noite estava à espreita na floresta. A fome o revirava por dentro, atormentando, o movendo em busca de alimento. Alimento de verdade, não os vaga-lumes que estavam espalhados entre as árvores. Não os pequenos roedores que aproveitavam o escuro para seus afazeres.

Era fome por uma caça de verdade. Um animal maior, que desse gosto, que valesse a pena.

Lobo da Noite para por uns instantes, em completo silêncio. Seu faro, aguçado, absorvia todos os sabores da mata. Desde o cheiro de ervas medicinais, aos cogumelos venenosos, as copas das árvores que perdiam suas folhas à medida que a estação avançava. Faria frio em breve. Até que um dos odores o chama a atenção. Sua boca saliva compulsivamente. Era um cervo.

Com o silêncio de um caçador nato, Lobo da Noite atravessa o chão da floresta em absoluto silêncio, passando por arbustos contornando árvores da melhor maneira que podia, e podia. A intensidade do cheiro indicava a proximidade cada vez maior de sua futura refeição.

E então ele o vê.

A ansiedade quase fez com que Lobo da Noite estragasse tudo, se precipitando. Mas a calma do predador era mais forte, e ele analisou os arredores. O cervo aparentemente estava fazendo uma última refeição antes de se juntar ao bando. As árvores eram levemente espaçadas, mas alguns galhos eram traiçoeiros. A clareira não era muito espaçosa. Perto havia uma ribanceira por onde o cervo não poderia passar. A Caçada estava pronta. Mas algo havia sido deixado de lado. E não foi o fato de Lobo da Noite ter alertado a presa antes da hora.

Sim, o cervo soube soube alguns milésimos de segundos antes que estava em perigo. Sem perceber, Lobo da Noite, ao estar tanto tempo faminto, deixou que sua língua passasse por cima dos lábios, fazendo o barulho necessário para revela-lo. O cervo levanta a cabeça, alerta. Olha um pouco para os lados, mas não vê Lobo. O fator surpresa já havia sido perdido, mas o caçador estava confiante. Confiante de que mesmo com esse problema, seria capaz de sobrepujar a presa caso a capturasse.

Caso a capturasse. Esse foi o ponto chave que trouxe tudo por água abaixo.

Lobo da Noite retesou os músculos e avançou no cervo. Avançou com tamanha ferocidade que mesmo os olhos mais afiados teriam dificuldade de acompanhar sua trajetória. A força da fome o impulsionava, o direcionava ao pescoço do cervo. O caçador fecha a mandíbula e as garras.

Quando as abre, nada.

O cervo foi mais rápido, e começou a corrida.

Com a corrida, a perseguição.

Lobo da Noite estava certo de que alcançaria o cervo, afinal, mesmo com a forte apertando sua mente, ele havia analisado o lugar da melhor maneira que podia. Mas a fome era traiçoeira, e fez com que ele não percebesse algo. As capacidades do próprio cervo.

De pouco em pouco, metro em metro, o cervo ganhava distância. Não importava o quanto Lobo da Noite conhecesse a floresta, não importava o quanto sua fome o impulsionava para a frente, a caça se afastava mais e mais. E então o desespero se apossou do caçador. Ele não conseguiria capturar a presa.

Esse fato mergulhou Lobo da Noite em um completo desolamento. Um suor frio começou a despontar de si, sua respiração ofegante deixando baforadas de vapor em uma floresta fria. O cervo escapa.

Lobo da Noite olhou ao redor, desesperado. Ele SABIA que aquela era a única chance de poder se alimentar naquela noite. Sabia que no dia seguinte estaria faminto DEMAIS, que as chances de conseguir sobreviver estavam diminuindo rapidamente. Descobriu que estava de volta à lareira.

Se encostando em uma árvore, deixa o peso do corpo leva-lo ao chão. Senta na relva macia, camadas e mais camadas de folhas que cobriam o chão com um verdejar que com certeza seria muito bonito de se ver à luz do sol – a luz que Lobo da Noite menos queria ver, pois provavelmente significaria que iria perecer.

Seus batimentos cardíacos não desaceleram. A fome não deixava. Estava nervoso, alterado, raiva começava a subir, se acumulando no peito e apertando como uma mão fantasmagórica – a mesma mão que apertava seu estômago e o lembrava da fome. Mas como ? Como ele deixou-se chegar a esse estado ? Por que não caçou antes, por que não se alimentou em algum momento ? Por que estava com tanta fome agora ? As dúvidas rapidamente se esvaem quando Lobo da Noite vê Lobo da noite.

Lobo se aproximou, vindo dos confins da floresta. Lobo da Noite não conhecia aquele Lobo. Sua fome não permitia. Será que o caçador agora seria caçado ? Não. Não iria se permitir ser caçado sem ao menor lutar contra isso. Lobo da Noite tentou se levantar, mas uma calmaria se apossa de seu corpo. Não é que não tinha forças para isso. É como se ele soubesse que não importava. Não porque era perigoso. Não importava.

Lobo da noite se aproxima, indo em direção ao centro da clareira, olhando para cima. Lobo da Noite acompanha o olhar. Lá em cima, as copas das árvores não se fechavam como um telhado verdejante. O cobertor de folhas tinham uma grande falha, um grande buraco devido à clareira. E através dessa passagem, era possível ver o céu. O véu das estrelas estava espesso. Infinitos pontilhados cobriam toda a arcada acima deles, cada um deles uma fonte de luz, de sonhos, de mitos, de informação, de beleza, de solidão e de acolhimento. Algumas culturas dizem que as estrelas eram grandes seres que haviam perecido e foram marcados para sempre no manto da noite. Outros dizem que a disposição delas prevê acontecimentos, e até mesmo como será alguém que nasceu em determinada estação.

Mas isso não importava naquele momento. O que importava é que, mesmo a fome presente, vazia, Lobo da Noite não estava mais preocupado com ela. Estava serene, mas não sabia o porquê. O Lobo olha novamente para Lobo, e se aproxima. Para em sua frente, de lado. Seu olhar possuía algo de familiar, algo que Lobo já havia visto antes. Quando achava que estava na ponta da língua, a lembrança lhe escapava novamente da mente. O Lobo faz um gesto imperceptível, mas que Lobo entendeu como “siga-me”.

Os dois foram caminhando pela floresta. Cada leve tropeção, cada arranhão novo em seu rosto lembrava Lobo da Noite de sua fome, que agora voltava à ativa, o corroendo por dentro. Por que estava perdendo tempo seguindo um lobo ? Precisava encontrar caça, precisava comer, se saciar, sobreviver ! Chegaram em uma nova clareira. Esse lugar era familiar, pensou Lobo. Um leve esforço em suas memórias e ele lembra. Não era uma clareira. Era uma praça que ficava no centro de Entrepontes. O lugar estava vazio. As casas, envelhecidas como se ninguém morasse naquela cidade há anos. As plantas haviam tomado conta da arquitetura do lugar. A cidade possuía uma murada de madeira e torres de vigilância, com pontes de madeira ligando alguns pontos altos da cidade para facilitar o trânsito de arqueiros. O chão estava seco, assim como o ar, que arranhava os pulmões de Lobo da Noite cada vez que ele inspirava.

Lobo da noite não estava mais lá. Lobo sente um calafrio percorrer seu corpo, dos pés até a nuca. Havia algo naquele lugar. Algo perigoso, Lobo sabia. Um outro predador ? Do canto de seu olho, Lobo percebe um movimento. Estava temeroso, mas se atentou ao local. Era . . . Lobo ? Mas era um Lobo maior, mais feroz. Lobo da Noite estava um pouco assustado, até esquecendo de sua fome por alguns breves instantes. Lobo da noite se aproximou, ameaçador, e deu a volta ao redor de Lobo da Noite, que fechou os olhos. E quando abriu os olhos, estava em outro lugar.

Dessa vez estava em um lugar frio. O vento gelado do norte soprava ruidosamente, não permitindo que Lobo da Noite ouvisse nem mesmo seus próprios pensamentos. Seus membros tremiam, afogando a dor da fome embaixo de um manto de gelo. Era possível ver umas formas estranhas por trás do manto da neve, mas o vento aumentou tanto de intensidade que Lobo da Noite acreditou que fosse ser enterrado pela fúria da geleira. Mas então, tudo ficou claro e a neve cessou. Ele estava em frente à uma coluna de luz. Ao lado dela, um espelho quebrado, seus cacos certamente enterrados pela grossa camada de neve que permeava o lugar. Ao longe, alguns iglus de gelo destruídos. O céu estava completamente nublado, e parado, como se o próprio tempo houvesse sido interrompido. Lobo da Noite procura por Lobo da noite, e quando o vê, percebe que estava ainda maior. Estava de sua altura ! Lobo da Noite engole em seco, sem ter certeza do que pensar ou agir. Lobo da noite começa a avançar em sua direção, aumentando o ritmo da corrida até que salta no ar, mandíbulas abertas e apontadas em sua direção. Lobo da Noite fecha os olhos, e quando os abre, estava em outro lugar.

Agora, se encontrava no meio de uma . . . Vila nevada. Mas era uma vila estranha. Possuía umas ocas que eram grandes demais para humanos. Muitas delas estavam queimados, e a paliçada que antes protegia o local parecia haver sido trazida abaixo há muitas semanas. Sinais de um conflito, uma guerra, estavam espalhados por todo o local. Havia sangue seco incrustado nos destroços. O céu estava limpo, mas com pouquíssimas estrelas. Dessa vez, uma visão aterrorizou Lobo da Noite. Do lado de fora havia uma massa peluda, muito maior que a paliçada que protegia o lugar. O chacoalhou os pelos e levantou, muito maior do que uma casa comum. Lobo da Noite dá alguns passos para trás, percebendo que ali estava Lobo da noite, em um tamanho absurdo. O lobo começa a caminhar ao redor da vila e acelerar, até correr. Sua velocidade era tamanha, e o barulho de suas patas titânicas no chão era quase um terremoto aos olhos de Lobo da Noite.

A fome que outrora revirava seus interiores foi completamente esquecida. Tudo o que ele sentia agora era terror, diante de tamanha besta. Sua vontade era de fugir, mas fugir para onde ? De se encolher, mas isso não o salvaria. De chamar os seus companheiros. Algo parece ter encaixado na cabeça de Lobo da Noite. Ele sente, no fundo de sua alma, que ele não deveria estar ali – ele precisava estar, precisava DE seus companheiros, e eles, dele. Todos eram eles mesmos, claro, mas também era um só. Lobo da Noite não estava mais com medo. O animal que rodeava a vila estava tão veloz que era quase um borrão. Lobo da Noite sabia que iria ser atacado, ele sentia dentro de si. Seus olhos se aguçaram, sua postura mudou. Sentiu a energia da floresta percorrendo por baixo da neve, sendo absorvida pelos seus pés e subindo pelo seu corpo como um soro que o enchia de potencial. Olhou novamente para o borrão que circulava a vila. Sentiu que agora estava mais veloz, mais capaz. Suas mãos começaram a gesticular em formas arcanas antigas. De seus lábios, palavras que somente outros de seu tipo conseguiriam decifrar. De nenhum lugar, mas ao mesmo tempo, de todos os lugares, espíritos de criaturas começavam a farfalhar ao seu redor. Borboletas, pássaros, vaga-lumes. Lobo da Noite põe a mão na cintura. Lá estava sua arma. A empunhando, ele a aponta para o céu. As criaturas vão em direção ao objeto, e se fundem.

Shillelagh.

Lobo da Noite prepara sua ação. Quando Lobo da noite atacasse, ele iria contra-atacar e sair da frente. Não importava se errasse ou acertasse o ataque – ele tinha a certeza que agora era ágil o suficiente. O suficiente para conseguir fazer o que queria.

Lobo da noite fez a curva, entrou em altíssima velocidade na vila, avançando na direção de Lobo da Noite.

Lobo da Noite desfere o golpe.

Certeiro.

A grande besta se desfaz em uma nuvem de animais diversos. Alguns deles saem voando, outros saem rastejando, outros saem correndo de volta pra floresta. Olhando para trás, Lobo da Noite vê Lobo da noite. Estava do tamanho normal, e se aproximava, despreocupadamente – teve a impressão de que o lobo estava até saltitando de felicidade. Lobo da noite sentiu a fome apertar, mas dessa vez não se importou. Se ajoelhando, espera Lobo da noite chegar. O lobo chega perto e o olha fixamente. Teve até a impressão de que a besta estava sorrindo. E de repente, ganhou uma lambida no rosto.

Lobo da Noite abre os olhos. Estava em uma clareira. Nessa clareira havia caça. O cervo aparentemente estava fazendo uma última refeição antes de se juntar ao bando. As árvores eram levemente espaçadas, mas alguns galhos eram traiçoeiros. A clareira não era muito espaçosa. Perto havia uma ribanceira por onde o cervo não poderia passar. A Caçada estava pronta.

E a Caçada começou. O cervo percebeu o avanço, mas dessa vez Lobo da Noite não se abalou. Estava tranquilo, estava sereno. Nem seu fracasso anterior nem sua fome iriam atrapalha-lo dessa vez. Perseguiu o cervo de maneira calculada. Tangeu a criatura pelo caminho que ele queria que ela seguisse. O cervo se enganchou em galhos e, no desespero, não percebeu que havia chegado em uma ribanceira. Não havia escapatória. E quando o cervo olhou para trás, para o caçador avançando em sua direção, isso ficou claro em sua expressão. Dessa vez, era uma presa. Lobo da Noite avança, veloz, e dá o bote.

A Caçada havia terminado.

Lobo da Noite se tornou, então, Lobo, da noite.

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De volta à Abrigo do Inverno
O Sábio, o Burgomestre, e o Gagá.

O Conclave dos Centauros foi criado, finalmente. Depois de eras em que as diferentes tribos estavam em conflito, finalmente um mal maior os uniu. Foi decidido que os líderes de cada tribo iriam formar um conselho e, juntos, decidiriam as ações futuras dos centauros como um todo. Houve uma grande celebração recheada de bebidas e muito fumo (e as ocasionais brigas entre mentalidades diferentes), mas Ruslan e sua tribo não participaram – afinal, o “acordo” que havia sido selado entre ele e os Defensores do Baronato não fluiu exatamente do jeito que ele esperava. Karahdor, em companhia de Cidarin, sumiu noite afora. Durante essa mesma noite, Lobo da Noite sonhou com a Caçada, e Karkaroff sonhou com o Acalento.

No dia seguinte, um ritual selou o futuro da tribo dos Kraask – três cortes no rosto indicavam que as três gerações a partir daquela estariam a serviço das outras. Nos filhos haveriam dois cortes. Nos netos, um, e na próxima geração, então, eles poderiam reconstruir-se do zero. Com receio de que uma situação parecida pudesse se repetir no futuro, os Defensores mandaram a real para o xamã dos Vladyn: Ruslan tentou assumir a liderança dos centauros sem sucesso e, assim como os Kraask haviam caído em tentação, os Duana poderiam ter o mesmo destino. Convencido, Yalon concordou em manter um olho nele. Karahdor reaparece, morto de ressaca (e olha que ele é anão).

Os Defensores voltaram, então, para Abrigo do Inverno, mas não voltaram sozinhos. Receosos que alguma represália pudesse acontecer, e prontos para qualquer problema, resolveram trazer uma porta-voz centáurica para tentar provar que o problema com os centauros havia cessado, mas no final ela acabou não sendo necessária, eis o porquê.

Antes de entrar na cidade, os Defensores decidiram que não poderiam arriscar se expor depois dos problemas que tiveram com Boris e seu poder sobre a milícia da cidade. Darius, o ex-ladino e agora guerreiro-ladino-mumunha do grupo se propôs a deslizar pelas sombras até conseguir chegar ao Burgomestre, levando Lobo da Noite – na forma de aranha-marrom – no bolso. Depois de fazer dois guardas “rirem”, conseguiu uma audiência e adentrou o grande salão onde o Burgomestre e sua companheira aguardavam.

Com uma pose relaxada, Burgomestre começou a indagar e a ouvir o que Darius contava sobre os acontecimentos que houveram. Durante o relato, Lobo da Noite resolveu se revelar, e rapidamente o cu de Burgomestre fechou. Depois de algumas trocas de farpas e demonstração de poder, eles continuaram a história até que uma revelação surgiu: Abrigo do Inverno possuía um acordo com Trono Branco. Segundo o Burgomestre, era uma espécie de tratado de paz: As Bruxas não iriam mexer com ele, ele não iria mexer com as Bruxas.

Pasmos com a nova informação, e agora temerosos que a mulher ao lado de Burgomestre tivesse uma forte ligação com as Bruxas, os dois defensores tentaram se apoiar no acordo que eles tinham com Burgomestre – retirada do banimento do grupo na cidade, e a libertação de Gasparov, tio de Petska, da prisão. O Burgomestre honrou o que havia prometido, mas mandou a real pro grupo: se eles fizessem algo com as Bruxas que de alguma maneira o prejudicasse, ele ia descer o quequéu na gente.

O grupo voltou a se reunir, avisamos a porta-voz centaura que a ajuda dela foi bem-vinda mas acabou não sendo necessária, e fomos buscar Gasparov na prisão. Soubemos do Burgomestre que houve uma tentativa de assassinato contra ele, mas o próprio havia conseguido se defender, e o destino do assassino foi mais breve do que o esperado. Morreu. A felicidade de “Gagá” ao ser libertado foi tão grande quanto sua surpresa ao saber o motivo: fazer identidades falsas para que pudéssemos entrar em Trono Branco. Mas nada que álcool não ajudasse a engolir.

Enquanto Darius e Lobo da Noite foram acompanhar Gasparov, Karkaroff foi procurar um ferreiro, Karahdor foi descansar, e Vola foi atrás do Sábio do Caos.
Gasparov passou a mão em muita gente, à caminho do bar. A punga rolou solta, e ele parecia ter uma habilidade sobrenatural para passar a mão no dinheiro e nas cartas durante os jogos. Nem Darius conseguiu ver a agilidade de suas mãos. Um display de ousadia foi dado, enquanto Gagá mostrava de que era tão bom nas cartas quanto era em conseguir desavenças.

Vola entrou em contato com o Sábio. Seu pedido era simples: ajuda para conseguir se livrar da deformação que a havia acometido e tornava sua existência dolorosa. O Sábio facilmente se desfez das pústulas – em troca da eliminação de Nazhena, ou, nas palavras de Vola, que a feiticeira queimasse a rosca dela. Mas não foi feito somente essa troca. Dez anos de sua vida por mais conhecimento. Mesmo com a noção de que o tempo de vida de meio-orcs já era pequeno, ela aceitou. A engrenagem da relatividade rodou, e dez anos se passaram no curso de poucas horas. Esses dez anos da vida de Vola foram recheados com uma cachoeira de informações diversas: planos de existência, criaturas mágicas, experiências diversas, e o nome da criatura que usou os KraaskFormorian, vinda de Shadowfell.

É claro que dez anos transformam bastante uma pessoa, inclusive a aparência. Levou um tempo até o grupo entender que Vola era Vola, mas não era Vola. Gasparov finalmente havia aceitado ajudar os Defensores criando os documentos, e ainda explicou a melhor maneira de conseguir entrar lá e evitar os homens-espelho – entrando pelo Bairro dos Uivantes.

Sabe-se que as Bruxas são rivais, e que vez ou outra uma tenta passar a perna na outra. Em uma dessas desavenças, uma delas abriu um rombo na muralha de Trono Branco, do lado desse bairro. O lugar tem esse nome porque os Lobos se aliaram a uma das Bruxas, e, como recompensa, eles ganharam a habilidade de assumir forma humana quando entrassem na cidade e, assim, desfrutar de prazeres humanos. O buracão na parede, porém, foi também imbuído com uma maldição: Passagem terá Quem o mau causará.

Já resolvida a arrumação dos disfarces de mercadores, o grupo agora só precisa esperar o tempo necessário para Gasparov conseguir cumprir seu serviço, e então eles estarão prontos para entrar na boca do lobo. Ou Lobos Brancos, como preferirem . . .

Sessão jogada em 09/05/2016

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Batalha dos Cascos - Parte 02
Surge o novo Conclave

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Partida realizada no dia 26/04/16

Parte 01

Ao chegar na tribo dos Kraasks os heróis se deparam com o grotesco inimigo e seus fieis escudeiros. Durante a batalha graças a estratégia do grupo a batalha foi vencida sem nenhuma baixa do lado dos heróis. Porém ao ver que estava em grande desvantagem, o Shaman Kraask foge e os Heróis começam uma intensa perseguição lado a lado dos centauros.

Após uma árdua caçada o Shaman foi subjugado. Este pediu para que salvássemos o seu povo em troca de infirmações. Ao chegar onde se encontrava os remanescentes Krasks os Heróis vêem os poucos Centauros envolto pela grande massa da União Centaurica.

Um grande debate ocorreu a cerca de manter a vida dos centauros inimigos. O shaman Kraask dá a sua vida em troca da liberdade dos seus, fazendo com que os seus se tornem sem tribo até a terceira geração e somente após isso poderiam voltar formar a tribo Kraask.

O shaman da tribo dos Vladyn dá inicio a fala de união das tribos centáuricas. Ele relembra que seus antepassados tinham criado o Conclave dos Líderes Centauros para poderem de certa forma se unirem em defesa da raça dos centauros. E assim deu-se inicio ao mais novo Conclave Dos Centauros.

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Os Duas Patas
Um relato do Grande Caçador dos Vladyn

Torak acordou sóbrio e perguntou-se quando foi a ultima vez que ele acordou assim. Faz tanto tempo que ele já não lembra mais. Há dias que a ultima garrafa de makguli da tribo foi levada para os Kraask e tudo o mais de valor, exceto as lanças e os arcos, que foram poupados apenas para que os saques continuassem.

Os Kraask não temiam mais os Vladyn.

- Merda! – gritou Torak – Sou um caçador e não um bosta de bandido!
- Porque grita, marido? – perguntou Salin.
- O que houve? – perguntou Loelin.

Torak percebeu que tinha acordado as suas esposas. Desde que sua tribo foi dominada, ele não conseguia montá-las com o mesmo vigor de antes. Era perceptível o olhar de preocupação delas e isso deixava-o cada vez mais frustrado. Torak duvidava se ainda tinha o direito de ser chamado de Grande Caçador. Epítetos como o algoz da lança rubra e o varão da floresta pareciam agora brincadeiras de potros.

Torak levantou-se e saiu de sua oca. Uma sentinela aguardava-o com um olhar aflito.

- Grande Caçador, trago mensagem de um grupo de Duas Patas. Eles estão na fronteira da tribo e dizem que desejam falar contigo. Sabiam o seu nome.

Uma sombra de esperança pairou sobre Torak.

- Leve-me até eles.

A continuar…

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Batalha dos Cascos - Parte 01
Skill Challenge Session

Centaur_gra_na_tubie.jpg

Partida realizada no dia 18/04/16

Report em breve…

Quem fizer report por aqui, ganha inspiração.

Parte 02

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